Dizem os mais sábios que as coisas
são como elas são,
mas a nossa constatação
humilde e despretensiosa e por vezes
dolorosa
é que as coisas sempre são
o que queremos, o que queríamos
desejamos e desejaríamos
que elas fossem.
As coisas são sempre
o resultado da nossa
projeção.
Dou um exemplo, pegando um planeta
uma dominante qualquer
esta Vênus proeminente
próxima ao ascendente,
na ponta da cruz, qualquer ponta da cruz é sempre toda a cruz,
carrega toda a cruz, que na verdade nós carregamos.
Este Vênus escolhe o amor, espera a beleza,
procura o encontro, o encaixe perfeito,
prefere o numero certo, a medida exata de seu
afeto, mas seu estado cósmico,
perturbado, debilitado,
provoca no interior do ser, expectativas
talvez perturbadoras,
e depois a pergunta,
sempre a pergunta:
porque o amor
comigo não funciona? o sapato onde encaixo meu desejo é menor, é maior, é frouxo, é duro... é também perturbador porque a escolha, o alvo onde atiro a fecha do meu sentimento, é torto, a flecha, minha expectativa, é torta, e depois sofro e pergunto: porque comigo é sempre assim? será que não nasci para o amor? será meu karma este desencaixe, este ranger das engrenagens, este ruído estridente de giz raspando a eterna lousa de pedra, será esta minha sina, abandono e desalento?
Este é o Vênus que eu projeto, se estiver em mal estado cósmico me inclino a encontrar em minha busca uma grande porção de desafeto, até o momento em que observando o movimento, reformatando o padrão, que sempre se repetiu, eu descubro a possibilidade de viver em sintonia com a engrenagem, ajustado, cada coisa em seu lugar, cada escolha a me completar, mas para isto eu tenho que abandonar a mim mesmo, minha forma, meu desejo, meu jeito velho de querer.
Tenho que resgatar o Vênus e tenho que negar o Vênus que me ensinaram, ao qual me integrei e com o qual vivi, achando que era certo.
Tenho que curar a raiz, saltar do planalto para o abismo, escolher para o louco, a primeira carta, o abismo, pois esta é a salvação para mudar a forma, definir um novo padrão e o amor finalmente acontecer.
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